No Memórias em Rede, ex-aluna vira educomunicadora aprendiz



De ex-aluna a educomunicadora aprendiz. A história da estudante Ana Beatriz Ribeiro, 18 anos, com o projeto Memórias em Rede começa em 2018, quando o Instituto Devir Educom chega na escola municipal Avelino da Paz Vieira, no bairro Vila Nova, em Santos-SP, para levar o jornalismo, a educação midiática e a memória afetiva para a sala de aula.


Ela, então com 15 anos, estudante do 8° ano, entrou na sala de informática, hoje a Estudioteca, onde acontecia a oficina do projeto, com uma postura corporal que revelava não só uma natural timidez diante da circunstância, mas, principalmente, falta de autoconfiança e baixa autoestima: ombros encolhidos e cabeça e olhos baixos. "Tia, eu fui mesmo selecionada para esse projeto?", perguntou, ao pé do ouvido, a uma das educomunicadoras, como se não acreditasse ser merecedora.



Ao longo das oficinas, contava suas 'notícias' pessoais e suas 'manchetes' da semana em várias práticas pedagógicas proporcionadas pelo projeto, que se utiliza da tecnologia social da memória, bem como dos recursos da tecnologia e da comunicação como meios de expressividade e exercício de cidadania dos alunos.


Com uma história de vida repleta de fragilidades, vulnerabilidades e desafios, Ana Beatriz foi construindo vínculos de confiança e amizade naquele grupo de jovens. Aos poucos, sua postura corporal foi mostrando uma menina mais confiante e com traços de liderança. Ela foi descobrindo seu potenciais por meio da escrita e da linguagem audiovisual. “Com a participação no projeto, a Bia revisita sua história, se fortalece, encontra possibilidades de protagonismo e, com novas escolhas, transforma assim a sua trajetória”, diz a professora da rede municipal Renata Gonçalves, que acompanhou de perto a evolução da estudante quando foi coordenadora pedagógica da escola Avelino.


E foi em 2021 que os gestores do Instituto Devir Educom, graças ao aporte da Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino, Tecnologia e Cultura (Fapetec), a convidaram para integrar a equipe do projeto, que passou a ser desenvolvido em quatro escolas públicas de Santos – além da Avelino, as UMEs José Bonifácio (bairro Vila Nova) e Vinte e Oito de Fevereiro (Saboó) e a EE Zulmira Campos (Castelo), todas em áreas de vulnerabilidade social do Município.


“Eu cheguei me sentindo diferente e, com o tempo, aprendi que ninguém é igual a ninguém. A transformação vem com o tempo e é a vontade de ser você mesmo que faz tudo valer a pena. Estou até mais responsável. Aprendi muitas coisas e a dar o melhor de mim”, relata Ana Beatriz. Atualmente, ela estuda no 3º ano do Ensino Médio da escola estadual Barnabé, na Região Central de Santos.


OFICINAS E PESQUISAS




No projeto, a jovem dá relatos de sua experiência aos novos participantes; é responsável por fazer um diário das oficinas; passar a lista de presença e fazer registros fotográficos das atividades por meio do celular.


Ela também tem como tarefa realizar pesquisas sobre Educomunicação e projetos e ações na interface da Comunicação e da Educação, a serem compartilhadas com os estudantes das quatro escolas. Para isso, duas vezes na semana ela utiliza o computador da Estudioteca da escola Avelino. Tudo sob a orientação dos gestores do Instituto.


“Ela tem papel importante na composição da equipe por falar a linguagem nata dos jovens e por viver contextos similares. Ana Beatriz se torna uma referência para eles, um exemplo de jovem que busca a superação e novas perspectivas de vida”, afirma a professora e jornalista Andressa Luzirão, presidente do Instituto Devir Educom e gestora do Memórias.


“Nosso intuito é termos outras Bias conosco, multiplicando o projeto e contribuindo com a educação dos novos tempos, com a ressignificação de histórias pessoais e do papel da escola na vida desses estudantes, por meio do jornalismo, da educação midiática e da memória afetiva”, completa a professora e jornalista Ivone Rocha, também responsável pela gestão do projeto e do Instituto.



METODOLOGIA


O projeto trabalha a memória afetiva do cidadão comum com a cidade, tendo alunos, na função de repórteres, como protagonistas da construção coletiva do conhecimento.


As oficinas trabalham a memória individual, coletiva e social, e utilizam técnicas do Jornalismo e ferramentas da Comunicação e da tecnologia.


A iniciativa conta com metodologia própria, a chamada ‘Metodologia dos Círculos’, criada pelo Instituto Devir Educom sob a ótica de Paulo Freire, que trabalha a memória afetiva e a educação midiática nas perspectivas do Eu, da Família, da Escola e do Território (EFET).


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