A formação do sujeito pode estar relacionada à valorização do Eu, da Família, da Escola e do Território 

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Metodologia dos Círculos, a base do projeto Memórias em Rede

 

A partir da experiência vivida no Memórias em Rede por dois anos, foi possível identificar uma metodologia que pudesse nortear as ações do projeto, facilitando assim o seu planejamento e atuando de acordo com a demanda dos seus participantes.

 

Tendo em vista o contexto social de vulnerabilidade; um desenho real de família; uma comunidade diretamente afetada pela inexistência de políticas públicas que lhe ofereçam seus direitos, além de sistemas opressores e discriminadores; o projeto se deparou com um cidadão fragilizado, estereotipado e marginalizado da sociedade representada pela mídia hegemônica. A figura desse cidadão não está apenas nos homens e mulheres adultos dos territórios localizados no entorno das escolas, mas dentro das escolas, nas salas de aula.

 

Essa realidade fez surgir a Metodologia dos Círculos, criada sob a ótica freireana, que objetiva a construção do conhecimento contextualizada à realidade do estudante. São 4 perspectivas de atuação – EU – FAMÍLIA – ESCOLA –TERRITÓRIO, em que é exercitada a cidadania e realizada a educação midiática por meio do direito à Comunicação, incluindo acesso à informação e produção em linguagens hipermidiática e transmídia, e também por meio da tecnologia social da memória, ao trabalhar aspectos da memória individual, coletiva e social, essenciais para a construção da identidade, para a valorização das identidades locais, para o desenvolvimento do senso de pertencimento e para a ampliação do repertório cultural, do senso crítico e da leitura de mundo.

A Metodologia dos Círculos é embasada nos chamados Círculos de Cultura de Paulo Freire, que considera o contexto social do estudante na sua aprendizagem integral. Os círculos, na visão do educador, estabelecem uma relação horizontal, possibilitando a construção do conhecimento a partir do diálogo, da participação do grupo e do respeito ao outro. Isso tudo possibilita uma nova dinâmica no aprendizado, por meio do trabalho em conjunto, tendo o professor com a função de mediador.

Em cada uma das perspectivas são trabalhadas a alfabetização midiática e informacional e a memória afetiva junto aos educandos. Nelas, são propostas práticas pedagógicas para a reflexão, debate e produção de conteúdo sobre as seguintes questões provocadoras/ problematizadoras:

EU

▪ Quem sou eu? Qual é a minha história? Qual o valor dela?

▪ Em quais meios busco informação?

▪ Que tipo de conteúdo eu consumo?

▪ Já compartilhei ou fui enganado por uma desinformação?

▪ Quais conteúdos chamam mais atenção?

▪ Me sinto representando na mídia hegemônica/mídia em geral?

▪ De que forma?

▪ O que quero produzir?

▪ Quais as minhas manchetes/notícias pessoais?

 

FAMÍLIA

▪ Quem é a minha família?

▪ Exercício da entrevista jornalística com família.

▪ Ser multiplicador sobre combate à desinformação e fake news na família.

▪ Ressignificar a história da família e a relação com ela.

 

ESCOLA

▪ Quais histórias compõem a escola?

▪ Quais espaços de afeto e desafetos ali existem? 10

▪ Como é a Comunicação na escola?

▪ De qual forma posso melhorar a minha escola?

▪ Entrevistas com os agentes da comunidade escolar a partir de pautas criadas em uma cartografia afetiva da escola (gestores, professores, inspetores, orientadores educacionais, administrativo e equipe de limpeza).

▪ Ser multiplicador sobre combate à desinformação e fake news na escola.

 

TERRITÓRIO

▪ Quais histórias compõem o território da escola e onde moro?

▪ O que há de potencialidade no entorno?

▪ O que encontro no caminho até a escola e até minha casa?

▪ Como reivindico melhorias para o meu bairro?

▪ O que posso melhorar no meu bairro?

▪ Como meu território é representado na mídia?

▪ Como desejo retratar meu território na mídia que eu venha a produzir?

▪ Qual público quero impactar com meu conteúdo?

▪ Ser multiplicador sobre combate à desinformação e fake news na escola.

 

O USO DE RECURSOS DA TECNOLOGIA

Em todos os tópicos de cada perspectiva da Metodologia são utilizados recursos tecnológicos, como celular e computador, e ainda plataformas como Youtube, Instagram, Facebook, Tik Tok, Spotify para desenvolvimento e criação de conteúdos hipermidiáticos e transmídia, como textos, áudios e vídeos em podcats, redes sociais digitais, jornal, blogs, entre outros que forem identificados como o desejo do coletivo de estudantes participantes.

 

A Metodologia dos Círculos parte da urgência da alfabetização midiática e informacional na educação requerida pelos novos tempos e que pode ser trabalhada em qualquer disciplina do currículo escolar.

Em uma perspectiva freireana, se faz urgente compreender que os recursos da comunicação e das tecnologias digitais fazem parte da cultura contemporânea, portanto, precisam permear as políticas públicas e os projetos políticos pedagógicos das instituições de ensino, como nos atenta Jesús Martín-Barbero. “(...) o mundo audiovisual está desafiando a escola em níveis mais específicos e decisivos: o da “sociedade da informação” e o dos novos espaços e 11 formas de socialização”.

 

Para o autor, os meios audiovisuais são um novo e poderoso âmbito de socialização. Ao mesmo tempo, trabalhar a educação midiática atrelada às histórias de vida dos estudantes e dos demais agentes da comunidade escolar pode tornar o aprendizado mais significativo e com maior sentido e conexão à vida dos educandos, promovendo a interdisciplinaridade do conhecimento e a educação integral. “(...) todo conhecimento deve contextualizar seu objeto, para ser pertinente. Quem somos? é inseparável de Onde estamos? De onde viemos?, Para onde vamos?”, questiona Edgar Morin. E nesse desenho de construção do saber, o aluno é o protagonista, o centro da aprendizagem.

Dessa forma, o projeto Memórias em Rede se divide em quatro etapas com ações que visam responder aos questionamentos de cada perspectiva da Metodologia dos Círculos.

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