A prática do ouvir estimulada pelas ‘manchetes da semana’


Cards dos alunos das escolas Zulmira Campos, Avelino da Paz Vieira e Vinte Oito de Fevereiro, em Santos-SP


A oficina do projeto Memórias em Rede, que abordou o tema ‘manchetes da semana’, rendeu bons resultados. Começou com momentos de escuta, quando cada um observava o outro e atentava para sua história, e continuou com a criação de cards pelos alunos, que acabaram sendo postados nas redes sociais.


Nela, cada grupo de estudantes editava as manchetes para que ficassem atrativas aos leitores, tal como fazem os jornalistas nos seus trabalhos diários. Sim, todos brincavam de ser profissionais da notícia, a partir do respeito e do afeto um pelo outro. E é esse o propósito do projeto, trabalhar a Educomunicação, como parte da formação de cidadãos, por meio da prática jornalística. Sendo assim, as ‘manchetes da semana’ representam uma parte desse trabalho, que visa a ajudar os alunos na prática do ouvir.


Cards das 'manchetes da semana' editados pelos alunos da UME Vinte Oito de Fevereiro


Saber ouvir é uma dádiva, é uma ação de responsabilidade, de respeito e de amor pelo outro. Tal como afirmam Maria Suzana de Souza Moura e Valeria Giannella (a partir de Kent Adelmann, 2012), na tese de pós-doutorado, intitulada ‘A arte de escutar: nuances de um campo de práticas e de conhecimento’, “a escuta é um ato social, contextual e dialógico, ou seja, não é individual, nem meramente psicológico”, cuja interpretação está diretamente relacionada ao repertório, à cultura e ao contexto social do ouvinte. Outro texto que trata do assunto na perspectiva da criança é 'A pedagogia da escuta na educação infantil', que vale a pena a leitura.


Tal como explica a professora Andressa Luzirão, presidente do Instituto Devir Educom, a atividade ‘manchetes da semana’, “é um espaço de escuta qualificada entre os estudantes que, na brincadeira de serem repórteres, exercitam um requisito básico para todo jornalista: saber ouvir atentamente. Afinal, é preciso compreender e interpretar as informações para transmitir de forma correta ao público”.


Trabalhos produzidos pelos alunos da Escola Estadual Zulmira Campos


Essa atividade é feita a partir de um círculo de rodas de conversa, no qual a regra básica é o não julgamento. Assim, entendem os gestores do projeto, é possível uma escuta qualificada e cada um se colocar no lugar do outro.


As ‘Manchetes da Semana’ oferecem outros importantes resultados, os alunos aprendem a editar as fases de suas vidas, quando fazem a curadoria de suas histórias. E, na perspectiva da educação midiática, compreendem a responsabilidade do jornalismo e sua importância como instrumento da democracia.


Nesse contexto democrático, os educomunicadores escutam atentos às realidades dos educandos para, com essa bagagem, inclusive, desenhar o projeto coletivamente. Isso porque, reforça Andressa, “entendemos que o aluno, ao chegar na escola com sua mochila, não carrega nela somente o material escolar, mas também seu repertório cultural, suas histórias de vida, seus afetos e desafetos”. E, sob a ótica freireana, com essa bagagem trazida pelo aluno para a escola, se constrói o processo de ensino-aprendizagem na busca de mais sentido e significado para o conhecimento.


Manchetes em cards criados pelos estudantes da UME Avelino da Paz Vieira


Nessa atividade, foram contemplados alunos participantes do projeto Memórias em Rede das escolas UME Avelino da Paz Vieira, UME Vinte Oito de Fevereiro e Escola Estadual Zulmira Campos, todas localizadas em Santos-SP.

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